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Todo Carnaval tem seu fim: como ajudar as crianças a lidarem com cansaço, excesso de estímulos e readaptação à rotina

Depois da folia, vem o desafio de desacelerar e os pequenos precisam de apoio para atravessar esse momento com mais tranquilidade

O Carnaval costuma ser um tempo de alegria intensa para muitas famílias. Fantasias, músicas altas, encontros, passeios, viagens, horários diferentes, menos regras e muita excitação. Para as crianças, tudo isso pode ser delicioso, mas também cansativo. Quando a festa acaba e a rotina precisa voltar ao lugar, é comum que apareçam sinais de exaustão, irritação, choro fácil e até dificuldade para dormir ou se concentrar. Isso não é “manha” nem desobediência: é o corpo e o cérebro infantil tentando se reorganizar depois de dias de excesso de estímulos.

As crianças, especialmente as menores, ainda estão aprendendo a regular emoções, sono, fome e atenção. Quando há muita novidade, barulho, movimento e mudança de rotina, o sistema nervoso fica em estado de alerta por mais tempo. Ao final desse período, o corpo pede pausa. E nem sempre elas conseguem expressar isso em palavras, por isso o comportamento costuma ser o primeiro sinal de que algo não vai bem.

Um dos primeiros passos para ajudar nesse retorno é acolher o cansaço. Em vez de exigir que a criança “volte ao normal” de um dia para o outro, vale reconhecer que ela também precisa de tempo para se reorganizar. Comentários simples como “foram dias muito animados, né? Agora o corpo está pedindo descanso” ajudam a criança a dar sentido ao que está sentindo. Nomear as sensações é uma forma poderosa de ensinar consciência emocional desde cedo.

Quem também merece atenção especial nesse período de reorganização é o sono. Durante o Carnaval, é comum dormir mais tarde, pular cochilos ou acordar em horários diferentes. Na volta ao cotidiano, o ideal é retomar a rotina de forma gradual, ajustando os horários aos poucos, com rituais previsíveis antes de dormir: banho morno, luz mais baixa, leitura tranquila, conversa calma. Esses sinais ajudam o corpo a entender que é hora de desacelerar. Evitar telas e estímulos intensos no fim do dia também faz muita diferença.

Outro ponto importante é reduzir o excesso de estímulos após a festa. Se o Carnaval foi barulhento e cheio de compromissos, os dias seguintes podem ser mais silenciosos e simples. Brincadeiras livres, desenhos, massinha, leitura ou momentos ao ar livre em ambientes tranquilos ajudam o cérebro a sair do “modo festa” e entrar novamente no ritmo do cotidiano. Não é preciso preencher todos os horários com atividades, pois o tédio também é organizador.

A alimentação também pode ter saído do padrão nesses dias, com mais doces, lanches rápidos ou refeições fora de hora. Retomar horários regulares e oferecer comidas conhecidas e nutritivas contribui para a sensação de segurança do corpo. Crianças cansadas e com fome tendem a ficar mais irritadas, e muitas vezes uma refeição equilibrada ou um lanche tranquilo já melhora bastante o humor.

Na readaptação à escola ou a outras rotinas, é importante alinhar expectativas. Algumas crianças voltam animadas, outras mais resistentes. Pode haver dificuldade de concentração, esquecimento de combinados ou maior sensibilidade emocional. Tudo isso costuma ser passageiro. Conversar com a criança sobre o que vai acontecer, relembrar horários e compromissos e validar sentimentos como saudade da festa ou preguiça de recomeçar ajuda a tornar essa transição menos brusca.

Para os adultos, esse período também pode ser desafiador. Pais e cuidadores muitas vezes estão igualmente cansados, tentando retomar o trabalho e a organização da casa. Ainda assim, quanto mais calma e previsibilidade conseguirem oferecer, mais fácil será para a criança se regular. Isso não significa perfeição, mas presença e coerência. Pequenos gestos, como manter combinados claros e oferecer colo e escuta, fazem grande diferença.

Vale lembrar que cada criança reage de um jeito. Algumas precisam de mais descanso, outras de mais conversa, outras de mais movimento leve. Observar, ajustar e respeitar o tempo de cada uma é mais eficaz do que comparar comportamentos ou apressar o processo. A readaptação não acontece em um único dia, ela é um processo contínuo de repetição e cuidado.

Saber que os dias de folia terminam também é um aprendizado importante para as crianças, que aprendem que os momentos de festa são especiais justamente porque não duram para sempre. Ensinar que depois da euforia vem o descanso e que não há problema em sentir saudade ou cansaço, ajuda a construir uma relação mais saudável com os ciclos da vida. Com acolhimento, rotina e afeto, o brilho da fantasia dá lugar à segurança do cotidiano – e isso também é muito bom!

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