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Saiba como trilhar um caminho de combate ao bullying entre as crianças

Essa é uma proposta para ajudar as famílias a compreenderem o bullying, conversar com as crianças e criar, no dia a dia, atitudes que fortalecem a empatia, o respeito e o cuidado mútuo

Falar sobre bullying com as crianças vai muito além de apenas orientar para que elas “não provoquem o colega”. É, antes de tudo, ajudar a construir um modo de convivência mais gentil, onde cada criança possa ser quem é, sem medo, vergonha ou hostilidade. O combate ao bullying começa cedo, dentro de casa, com pequenos gestos que mostram que diferenças não ameaçam, mas enriquecem, que ninguém precisa diminuir o outro para se sentir maior e que pedir ajuda não é fraqueza, mas coragem. Para isso, é importante entender o que é bullying e o que não é, afinal, nem toda briga representa uma situação de violência. Conflitos acontecem e fazem parte da vida social. O bullying aparece quando há agressões repetidas, intencionais e sustentadas por algum tipo de desequilíbrio de poder – seja físico, emocional ou social. Além disso, ele pode ocorrer de muitas formas, desde apelidos pejorativos e humilhações verbais até exclusões, boatos, agressões físicas ou ataques virtuais. Quando as famílias compreendem essas nuances, conseguem orientar as crianças com mais clareza e cuidado.

Um passo essencial nessa jornada é ajudar as crianças a nomear seus sentimentos. Quando elas sabem dizer o que sentem, desenvolvem empatia, autocontrole e a habilidade de buscar ajuda quando necessário. Conversas simples, feitas no caminho da escola, no banho ou na hora de dormir, abrem espaço para que contem suas experiências e percebam tanto seu próprio desconforto quanto o do outro. Perguntas como “O que você sentiu?” ou “Como você acha que seu colega ficou depois disso?” constroem pontes importantes para a reflexão. A empatia, afinal, é uma das ferramentas mais poderosas para prevenir o bullying e ela não nasce sozinha, pelo contrário, é cultivada em gestos cotidianos, como incentivar que a criança brinque com colegas diferentes, valorizar atitudes de colaboração, conversar sobre diversidade e ajudar a reparar erros quando eles acontecem. Assim, a criança aprende a reconhecer que todos têm lugar no mundo e, além de não se tornar agressora, passa a ser capaz de defender colegas que estejam sofrendo.

É importante dizer que, nesse processo, o papel da família como modelo é fundamental, principalmente porque crianças observam mais do que escutam. Se veem os adultos ridicularizando pessoas, utilizando apelidos maldosos ou resolvendo conflitos com gritos, aprendem que esse é o modo “normal” de se relacionar. Quando, ao contrário, testemunham pedidos de desculpas, respeito pelas diferenças, resolução de problemas com calma e ausência de comentários agressivos sobre aparência, sotaque ou estilo, internalizam padrões mais saudáveis e gentis.

E quando o bullying acontece?

Quando a criança é vítima de bullying, a atitude mais importante é acreditar no que ela relata. Minimizar a dor com frases como “isso é bobagem” ou “não liga para isso” só a faz se sentir ainda mais sozinha. O ideal é ouvir com calma, acolher, reforçar que ela não causou aquilo e comunicar a escola para que a situação seja acompanhada de perto. Já quando a criança pratica bullying, o desafio é outro: reconhecer que ela não é “má”, mas está repetindo padrões ou lidando com inseguranças de forma inadequada. Isso exige diálogo firme e respeitoso, explicando as consequências de suas atitudes e ajudando-a a pensar em formas de reparar. Crianças aprendem melhor quando são compreendidas e orientadas, não quando são envergonhadas.

Outro ponto essencial é ensinar que pedir ajuda é um ato de coragem. Muitas crianças silenciam por medo de retaliação ou por acharem que denunciar é “fofoca”. Quando entendem que buscar apoio protege a si e aos outros, passam a agir com mais segurança. Explicar com quem elas podem contar na escola, reforçar que a família sempre vai ouvir e mostrar que ninguém precisa enfrentar tudo sozinho fortalece essa rede de proteção.

No fim das contas, incentivar o combate ao bullying é cultivar relações baseadas no cuidado, na escuta e no respeito. Não é sobre grandes discursos, mas sobre pequenos gestos que se repetem no cotidiano: apoiar amizades diversas, valorizar gentilezas, promover conversas sinceras e ensinar que todos merecem existir sem medo. É assim, com paciência e presença, que construímos uma infância mais segura, mais leve e mais humana para todas as crianças.

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