fbpx
 

Curiosidade sem fim: a importância dos “porquês” na infância

Os infinitos “porquês” revelam uma mente em crescimento e um serzinho sedento por descobrir o mundo ao lado de quem ama

Se você convive com uma criança pequena, provavelmente já se deparou com um verdadeiro festival de perguntas: “Por que o céu é azul?”, “Por que tenho que dormir?”, “Por que a vovó usa óculos?”, “Por que você está triste?”. Muitas vezes, parece que os “porquês” nunca têm fim – e podem surgir nas horas mais inesperadas, como quando você está atrasada para sair de casa ou no meio de uma ligação de trabalho.

Essa fase, que costuma aparecer por volta dos três anos e se intensifica até os seis, não é apenas curiosidade sem limites: é um marco importante no desenvolvimento cognitivo e emocional da criança. Segundo especialistas em psicologia do desenvolvimento, quando a criança começa a perguntar “por quê?”, está demonstrando sua capacidade de pensar de forma mais abstrata e lógica. Ela já não se contenta apenas em observar o mundo, agora quer compreender as causas, as razões e os significados por trás das coisas.

Pesquisas mostram que essa é uma forma ativa de aprendizado. Diferente de apenas receber informações, a criança que pergunta está testando hipóteses, construindo explicações e relacionando conhecimentos. Ou seja, cada “por quê?” é como uma pequena investigação científica em andamento.

Estudos também apontam que essa fase é essencial para o desenvolvimento da linguagem. Ao ouvir as respostas dos adultos, a criança amplia seu vocabulário, aprende a estruturar frases mais complexas e exercita a compreensão de conceitos abstratos. Além disso, ao perguntar, a criança percebe que pode usar a linguagem como ferramenta para obter informações e esse é um passo enorme na sua autonomia intelectual.

Mas não é apenas o intelecto que está em jogo. Muitas vezes, o “por quê?” vem carregado de emoções. Perguntar pode ser uma forma de buscar segurança (“Por que você vai embora?”), de se conectar afetivamente (“Por que você está sorrindo?”) ou de expressar preocupações (“Por que o lobo existe nas histórias?”). Assim, responder com paciência também significa acolher os sentimentos da criança, validando suas angústias e curiosidades.

Quando os pais se cansam
É natural que, diante de tantas perguntas, os adultos se sintam sobrecarregados. Nem sempre temos tempo ou energia para elaborar respostas completas e ainda de acordo com o entendimento dos pequenos. Nessa hora, lembre-se de que não é preciso ter todas as respostas na ponta da língua, o importante é valorizar a curiosidade. Portanto, se você não souber responder, pode dizer: “Essa é uma ótima pergunta, vamos pesquisar juntos depois” ou “Não tenho certeza, mas podemos descobrir”. Dessa forma, você ensina a criança que a busca pelo conhecimento é contínua e colaborativa.

No dia a dia, alguns cuidados ajudam a tornar esse momento mais leve. Escute com atenção, pois, às vezes, por trás de uma pergunta, existe um medo que precisa ser acolhido. Procure responder de forma simples, adequada à idade da criança, e use recursos visuais como livros, desenhos ou até pequenas experiências práticas para enriquecer a explicação. Valorize sempre a curiosidade e, sempre que possível, transforme a dúvida em uma descoberta compartilhada.

De modo geral, essa fase é completamente saudável e esperada. Só merece atenção quando a criança não demonstra curiosidade, evita interações ou não consegue formular perguntas simples até os quatro anos. Nesses casos, vale conversar com o pediatra ou um fonoaudiólogo para investigar se há algum atraso no desenvolvimento da linguagem ou da comunicação.

Sabemos que os infinitos “porquês” podem cansar, mas representam um tesouro no desenvolvimento infantil. Eles revelam uma mente em ebulição, pronta para aprender, explorar e se conectar com o mundo. Ao responder com paciência e curiosidade, você não apenas satisfaz a criança naquele momento, mas também ajuda a formar um adulto crítico, criativo e confiante na busca pelo conhecimento.

Share Post
Written by
No comments

LEAVE A COMMENT