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Como lidar com a frustração infantil sem punições ou chantagens

Entender as emoções das crianças e acolher sua frustração é o caminho para ajudá-las a crescer mais seguras e emocionalmente fortes

A frustração faz parte da vida. Desde cedo, as crianças se deparam com situações em que não podem ter ou fazer tudo o que desejam: o brinquedo que não funciona, o amigo que não quer brincar da mesma forma, o “não” dos pais. Para nós, adultos, pode parecer algo pequeno, mas para as crianças essas experiências são gigantes. E é justamente aprendendo a lidar com a frustração que eles desenvolvem habilidades fundamentais para a vida, como a paciência, a resiliência e a empatia. O desafio para mães, pais e cuidadores é saber como ajudar a criança a atravessar esses momentos sem recorrer a punições, gritos ou chantagens emocionais.

Por que evitar punições e chantagens?
Quando a criança está frustrada, ela já está com o “copo cheio” de emoções difíceis. Ao usar frases como “se você não parar de chorar, vai ficar de castigo” ou “só vou te amar se você se comportar”, o adulto não ensina a lidar com os sentimentos, pelo contrário, apenas reprime a expressão deles. Em longo prazo, isso pode gerar insegurança, medo de errar ou dificuldade em dizer o que sente.

Mais do que interromper um comportamento indesejado, é importante olhar para o que está por trás dele. O choro, o grito ou até a birra são formas de comunicação, já que a criança ainda não possui maturidade emocional e cognitiva para nomear e organizar o que sente. Para te ajudar nessa jornada, selecionamos seis estratégias para esses momentos. Confira!

1. Acolha os sentimentos
Valide o que a criança está sentindo, mesmo que a situação pareça pequena para você. Dizer algo como “eu sei que você queria muito esse brinquedo e é difícil quando não dá certo” mostra empatia e ensina que todas as emoções são legítimas.

2. Mantenha a calma
As crianças aprendem observando. Se você perde o controle diante da frustração delas, a mensagem é de que não há outra forma de reagir. Respire fundo, abaixe-se na altura da criança e fale em tom sereno.

3. Ajude a nomear emoções
Uma boa forma de ensinar inteligência emocional é dar nome ao que está acontecendo: “Você está bravo porque queria brincar mais tempo” ou “Você está triste porque queria ir ao parque”. Isso ajuda a criança a compreender melhor o que sente.

4. Ofereça alternativas possíveis
Nem sempre será possível atender ao desejo da criança, mas oferecer escolhas dentro do que é viável ajuda a reduzir a sensação de impotência. Por exemplo: “Hoje não dá para comprar o brinquedo, mas você pode escolher entre desenhar ou brincar de massinha agora”.

5. Mostre que a frustração passa
Com o tempo, a criança vai aprender que esses momentos não duram para sempre. Um abraço, um colo ou simplesmente estar presente até que ela se acalme faz diferença.

6. Compartilhe experiências
Divida com a sua criança situações em que você também ficou frustrada e conte como lidou com isso: “Hoje eu queria muito sair, mas começou a chover. Fiquei chateada, mas aproveitei para ler um livro em casa”. Assim, a criança percebe que a frustração faz parte da vida de todos.

A maneira como lidamos com as frustrações da infância influencia diretamente a vida adulta. Crianças que aprendem a sentir e elaborar suas emoções em um ambiente seguro tendem a desenvolver mais confiança em si mesmas e nas relações. Quando o adulto mostra que pode acolher os sentimentos difíceis, a criança entende que não está sozinha, que é amada independentemente de como se comporta e que há outras formas de lidar com a raiva, a tristeza ou a decepção, além de explodir ou reprimir.

Lembre-se: a frustração não é algo que precisamos evitar a todo custo, pelo contrário, ela é parte importante do aprendizado emocional. O que faz diferença é a forma como guiamos nossos filhos nesses momentos. Sem punições, sem chantagens, mas com presença, paciência e empatia, ajudamos as crianças a desenvolverem ferramentas internas para enfrentar os desafios que virão ao longo da vida.

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