Porque dar um livro é muito mais do que entregar um embrulho: é oferecer afeto, imaginação e memórias que duram para sempre
O Natal é tempo de luz, de reencontros e de gestos simbólicos. É quando as casas se enchem de cores, sons e cheiros que despertam lembranças e, mais do que nunca, o desejo de demonstrar amor por meio de gestos simples e presentes cheios de significado. E, entre tantas opções que aparecem nas vitrines, há um presente que nunca perde o valor: o livro.
Dar um livro é um ato de carinho, de atenção e de aposta no outro. É dizer “pensei em você” de um jeito especial, porque cada história que escolhemos para presentear carrega um pouco de quem somos e do que desejamos transmitir. Para as crianças, um livro é um portal para mundos possíveis. Para os adultos, é uma forma de reencontrar o tempo, a imaginação e o prazer da pausa – algo tão raro em meio à correria de fim de ano.
Os livros são presentes que não se esgotam quando o embrulho é rasgado. Ao contrário, eles se transformam e crescem junto com quem os lê. Uma história lida aos 5 anos desperta encantamento e riso, mas relida aos 10 pode trazer reflexões e memórias novas. A literatura acompanha o amadurecimento, amplia o vocabulário, fortalece vínculos afetivos e alimenta a curiosidade.

Quando um adulto lê para uma criança, há algo mágico acontecendo: as palavras ganham som, ritmo e emoção. A leitura compartilhada cria um tempo de afeto e escuta. É ali, no colo, que a criança associa o livro a uma sensação de segurança e amor e é isso que constrói o gosto pela leitura.
Presentear com livros também é um convite à presença. É dizer: “vamos ler juntos?”, “vamos conversar sobre essa história?”. O livro prolonga o momento do presente, porque ele convida à repetição: à releitura antes de dormir, ao comentário sobre a ilustração preferida, à comparação com outras histórias. Mais do que objetos, os livros se tornam rituais. Alguns ficam guardados como tesouros, com dedicatórias e datas anotadas, pequenas cápsulas de tempo que, anos depois, fazem lembrar não só da história, mas de quem ofereceu aquele presente.
Numa época em que muitos presentes são descartáveis, o livro é um dos poucos que resiste ao tempo. Ele não precisa de pilhas nem de conexão com a internet, basta a vontade de abrir suas páginas. Presentear com um livro é também uma forma de resistir à pressa, ao consumo sem sentido e à distração constante. É oferecer tempo, imaginação e escuta. É dizer a uma criança que ela é capaz de sonhar e criar. É lembrar a um adulto que sempre é tempo de recomeçar.
Neste Natal, talvez o maior presente que possamos dar e receber seja esse: o de sentar juntos, abrir um livro e deixar que as histórias nos unam. Porque, no fim das contas, o poder dos livros está justamente em transformar o instante da leitura em memória, o gesto em vínculo e a palavra em afeto.