Comemorado em 17 de novembro, o Dia Internacional da Prematuridade é um convite à conscientização sobre os desafios e as vitórias dos bebês que chegam antes da hora
O nascimento de um bebê é sempre um acontecimento marcante, mas quando ele chega antes do tempo esperado, a vida ganha um novo ritmo. Em vez de seguir o compasso tranquilo dos primeiros dias em casa, muitas famílias precisam se adaptar a uma rotina de hospital, incubadora, monitores e uma mistura intensa de emoções. O Dia Internacional da Prematuridade, celebrado em 17 de novembro, é uma data criada justamente para dar visibilidade a essa realidade, promover a conscientização sobre os cuidados com o bebê prematuro e reforçar a importância do acolhimento às famílias.
Um bebê é considerado prematuro quando nasce antes das 37 semanas de gestação. Esse adiantamento pode acontecer por diversos motivos, como condições de saúde da mãe (hipertensão, diabetes gestacional, infecções, insuficiência istmo cervical), complicações na gestação, gravidez múltipla ou fatores ainda desconhecidos.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 15 milhões de bebês nascem prematuros todos os anos no mundo e o Brasil está entre os 10 países com maior número de casos. Embora a medicina tenha avançado muito, o nascimento antecipado ainda é uma das principais causas de mortalidade infantil no planeta.
Nem todos os bebês prematuros são iguais e cada um tem suas próprias necessidades e desafios. Os médicos classificam a prematuridade em três graus principais: prematuro tardio (nascimento entre 34 e 36 semanas), prematuro moderado (nascimento entre 32 e 34 semanas), prematuro extremo (nascimento antes das 32 semanas).
Quanto menor o tempo de gestação, maiores os cuidados necessários. Os prematuros extremos, por exemplo, podem precisar de suporte respiratório, alimentação por sonda e permanência prolongada na UTI Neonatal até atingirem peso e maturidade suficientes para irem para casa.

UTI Neonatal: um lugar de luta e de amor
Para quem nunca viveu essa experiência, a UTI Neonatal pode parecer um ambiente frio e assustador, repleto de aparelhos e sons de monitores. Mas quem passa por ali sabe que é também um lugar de esperança e superação. Ali, cada grama ganha é motivo de comemoração. Cada respiração espontânea, um avanço. E cada toque, por menor que seja, carrega uma força imensa – tanto para o bebê quanto para seus pais.
O contato pele a pele, conhecido como “Método Canguru”, é um dos cuidados mais incentivados nesse período. Além de ajudar na regulação da temperatura e no vínculo entre bebê e família, ele contribui para o ganho de peso, estabilidade cardíaca e desenvolvimento emocional do recém-nascido.
Outro aliado super poderoso para os bebês prematuros é o leite materno. Rico em anticorpos e nutrientes, ele ajuda a fortalecer o sistema imunológico e protege os pequenos contra infecções graves.
Inclusive, você sabia que o leite materno da mãe de prematuro que teve um bebê com 30 semanas é diferente da que teve com 33 semanas e ainda distinto da mãe que teve um bebê a termo? Isso acontece porque o leite materno se adapta às necessidades do bebê, mudando sua composição para atender às necessidades nutricionais e imunológicas em diferentes fases do desenvolvimento. Ele é um alimento vivo que se transforma para proteger o organismo da criança, isso significa que o corpo da mulher que pariu seu bebê precocemente sabe exatamente qual deve ser sua composição para fornecer exatamente o que aquele bebê precisa. Esse leite, portanto, vai se modificando conforme o bebê vai crescendo e se desenvolvendo – e isso também acontece com o leite materno de mulheres que tiveram seus bebês no tempo certo.
Nos casos em que a produção do leite materno da própria mãe é insuficiente, recomenda-se a alimentação do bebê com leite proveniente de banco de leite humano. O Brasil, inclusive, é referência mundial em bancos de leite humano, que apoiam e orientam famílias nesse processo. Apenas quando não for possível oferecer leite de banco, deve-se recorrer a fórmulas artificiais. Atualmente, existem fórmulas lácteas especialmente concebidas para prematuros.

O papel da rede de apoio
A chegada de um bebê prematuro pode mexer profundamente com a saúde emocional da família. Muitas vezes, a mãe do bebê prematuro passa por cirurgias, intercorrências de saúde ou até complicações que levaram ao parto antecipado. Garantir descanso, alimentação adequada, escuta atenta e acompanhamento médico é parte essencial da recuperação, além de um ato de amor que repercute diretamente no bem-estar do bebê.
Mas não são apenas as mulheres que passaram por intercorrências médicas em seus partos que precisam de apoio. Às vezes, a prematuridade simplesmente acontece, sem muitas explicações, ainda assim a rotina de hospital, a incerteza sobre o futuro e a separação física entre mãe e filho geram medo, ansiedade e cansaço. Por isso, é fundamental uma rede de apoio sólida, que envolva familiares e amigos é tão importante. Pequenos gestos, como ouvir, oferecer ajuda prática ou simplesmente estar presente, fazem toda a diferença para que essa mulher não se sinta sozinha.
Também é importante que as mães e os pais se permitam viver suas emoções, buscar acompanhamento psicológico e entender que cada bebê tem seu tempo. Comparações com outras trajetórias só aumentam a angústia. Celebrar cada conquista é o que realmente importa.
Cada bebê prematuro é uma prova viva da força e da delicadeza da vida. Eles ensinam sobre paciência, resiliência e amor. Nessa data, celebramos os bebês e suas histórias, independentemente de seus desfechos. Celebramos também os profissionais da saúde que se dedicam incansavelmente e as famílias que persistem na presença de viver um dia de cada vez. Lembre-se: prematuridade não é fraqueza, é apenas um começo diferente, mas cheio de possibilidades.