Como a leitura, os gestos e as rimas, desde a gestação, ajudam a impulsionar a fala das crianças
As primeiras palavras de uma criança são momentos inesquecíveis para qualquer família. Mas antes de surgirem frases inteiras, existe um caminho discreto e riquíssimo que prepara esse terreno: uma linguagem que começa no colo, feita de gestos, rimas, músicas e, claro, literatura – tudo isso começando lá na gestação.
Quando o bebê está na barriga, já reconhece sons, ritmos e a cadência da voz da mãe e de outras pessoas próximas. Ler em voz alta nesse período cria uma atmosfera de intimidade e prepara o bebê para perceber a musicalidade da fala. Não se trata de “ensinar” precocemente, mas de cultivar vínculos. Depois, o colo, que antes era o ventre, torna-se o espaço de segurança onde palavras, gestos e sons ganham sentido.
Muito antes de falar, o bebê já comunica. Chora de formas diferentes, sorri, balbucia, estica as mãos. Cada gesto é uma forma de linguagem, um ensaio para a fala. Quando a criança aponta para um objeto, por exemplo, está mostrando que compreende e quer compartilhar algo do seu mundo interior. Responder a esses gestos com palavras é uma forma simples e poderosa de ampliar o repertório da criança. Se ela aponta para a bola, dizer “sim, a bola vermelha” transforma o gesto em uma ponte para a linguagem verbal.

Rimas, músicas e literatura de colo
Cantar acalenta e organiza a linguagem: o ritmo, a melodia e a repetição presentes em rimas e cantigas permitem que a criança antecipe sons e memorize palavras. Muitas vezes, os pequenos começam a cantarolar antes mesmo de formar frases, porque a música abre espaço para que a fala floresça em clima de alegria. Da mesma forma, ler em voz alta desde cedo oferece às crianças não apenas palavras novas, mas também narrativas, personagens e emoções. Livros de rimas curtas, textos musicais e ilustrações simples dialogam com o modo como os bebês aprendem. A coleção Literatura de Colo, por exemplo, foi pensada justamente para esse momento: livros pequenos, fáceis de segurar, com textos rimados e ilustrações primorosas.
Seja no canto, na leitura ou no silêncio compartilhado, o colo é sempre o primeiro espaço de diálogo. É nele que o bebê aprende a esperar sua vez, a responder ao olhar, a sorrir de volta. A leitura em voz alta acrescenta mais uma camada: permite que a criança sinta o calor do corpo, escute o tom da voz e perceba que a comunicação pode ser também uma experiência de prazer e imaginação. Falar, afinal, é mais do que uma habilidade: é descobrir que a voz pode ser partilhada, que o mundo se abre quando somos ouvidos, e que a linguagem é, acima de tudo, um poder imenso.

Pequenos gestos que fazem uma grande diferença
- Ler desde a gestação: a voz dos pais já chega ao bebê, criando reconhecimento e vínculo.
- Leitura cotidiana: alguns minutos no colo com um livro são suficientes para nutrir a linguagem.
- Responder aos balbucios e gestos: reconhecer e interagir com essas tentativas dá segurança para que a criança avance.
- Cantar e repetir rimas: a cadência ajuda a organizar o pensamento e a fala.
- Nomear o mundo: ao ler, cantar ou conversar, nomear objetos e ações ajuda a construir vocabulário.