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Fim de ano sem pressa

Entre festas, compromissos e expectativas, o convite é outro: diminuir o ritmo, respirar junto e viver o presente junto das crianças

O fim do ano costuma chegar como uma avalanche. As agendas se enchem, os compromissos se multiplicam e o sentimento é o de que precisamos dar conta de tudo: festas, presentes, reuniões, fechamento do trabalho, atividades escolares e, claro, as crianças cheias de energia e ansiedade pelas férias. Mas talvez seja justamente nessa época que mais precisamos parar, respirar e lembrar que não é preciso correr tanto.

Desacelerar é um gesto de cuidado com nós mesmos e com os nossos filhos. As crianças sentem o ritmo da casa, o clima dos adultos e o peso das expectativas. Quando o ambiente está apressado, elas também se desorganizam. O contrário também é verdadeiro: quando encontram espaço para o ócio, o tempo livre e a calma, conseguem brincar mais profundamente, imaginar mais e se conectar com o que sentem.

Já reparou que a correria de dezembro é quase cultural? A gente quer fechar ciclos, fazer balanços, participar de tudo. E há, sim, uma beleza em celebrar e em estar com as pessoas queridas. Mas, quando tudo vira obrigação, perdemos o que há de mais importante: o sentido das coisas. Com as crianças, o excesso de estímulos e compromissos pode gerar cansaço, irritação e até desinteresse. Fica difícil aproveitar quando o corpo e a cabeça pedem pausa. Talvez o que mais falte nessa época não seja tempo, mas calma.

Prova disso é a preocupação de algumas famílias quando os filhos dizem “estou entediado”. Acontece que o tédio é ótimo porque ele é um território fértil. É nele que nascem as brincadeiras inventadas, as histórias, as ideias novas. Dar tempo livre às crianças é permitir que se encontrem com elas mesmas sem cronômetros, sem tarefas, sem telas o tempo todo. Desacelerar é também não preencher todos os espaços. É confiar que o brincar livre, a observação de uma formiga, um banho de mangueira ou um piquenique improvisado podem ser experiências tão ricas quanto uma viagem cara ou uma programação cheia de atividades.

Como desacelerar – de verdade!

  1. Redesenhe a agenda: olhe para os compromissos do mês e veja o que é realmente necessário. Reduzir é um ato de amor. Dizer alguns “nãos” abre espaço para os “sins” que realmente importam.
  2. Cultive rituais simples: pode ser acender uma vela à noite, preparar um bolo juntos, escrever bilhetes de gratidão ou ver o pôr do sol. Pequenos gestos repetidos criam memórias e ajudam a marcar o tempo de forma afetiva.
  3. Diminua as expectativas: nem toda celebração precisa ser perfeita, nem toda refeição precisa ser elaborada. Às vezes, o que as crianças mais lembram é do improviso, da risada ou da bagunça que deu certo.
  4. Volte ao corpo: caminhadas, alongamentos, momentos de silêncio ou um simples “vamos respirar juntos?” podem ajudar a reconectar o corpo e a mente. As crianças aprendem observando como os adultos lidam com o próprio ritmo.
  5. Valorize o presente: em vez de planejar o tempo todo o que vem depois, olhe o que está acontecendo agora. Um lanche na varanda, uma conversa sem pressa, um abraço demorado. É nesses instantes simples que a vida acontece.

Desacelerar com as crianças não é fazer menos, é fazer com mais presença. É perceber que o tempo que realmente vale não se mede no relógio, mas na qualidade dos encontros. Quando deixamos de correr atrás do “fim de ano perfeito”, abrimos espaço para um fim de ano verdadeiro: aquele em que nos sentimos inteiros, em que as crianças têm tempo de ser crianças, e nós, tempo de sermos pais e mães mais atentos, mais leves e mais humanos.

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